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Com subsídio mensal de R$ 32.564,04, o prefeito de Rio Brilhante, Donato Lopes da Silva (PSDB), ganha salário superior aos gestores das maiores cidades de Mato Grosso do Sul e de 23 dos 27 governadores brasileiros. Por outro lado, 12,7 mil moradores da cidade vivem praticamente na miséria, com renda per capita mensal inferior a meio salário mínimo (R$ 522,50), conforme o IBGE.

Apesar de não faltar dinheiro para pagar salário de primeiro mundo ao chefe do Executivo, o município sofre com a falta de recursos públicos. Não há dinheiro nem para comprar ventilador para os funcionários dos postos de saúde enfrentarem o calorão que castiga o sul-mato-grossense no verão.

“Está um caos em muitos setores”, acusa o advogado e ex-prefeito Sidney Foroni (MDB). “Faltam remédios, postos de saúde (estão) até sem ventilador na recepção”, exemplificou. “Dentistas (estão) praticamente paralisados por falta de equipamentos, cadeiras sem compressor”, lamentou.

Donato Lopes pode ser considerado político “querido” na cidade, já que está no quinto mandato de prefeito. Bom, pelo menos, ele não tem do que reclamar do cargo, que lhe garante supersalário.

Administrando o município com 37.514 habitantes, o tucano ganha 53% acima dos R$ 21,2 mil pagos ao prefeito Marquinhos Trad (PSD), de Campo Grande, cidade com 895,8 mil moradores. O orçamento de Rio Brilhante para este ano é de R$ 190,8 milhões, enquanto a Prefeitura de Campo Grande terá receita de R$ 4,3 bilhões em 2020.

Donato ganha 135% acima do valor pago à prefeita Délia Razuk (PTB), que administra Dourados, a segunda maior cidade do Estado e com população de 222,9 mil habitantes. Ele bate até os salários de Marcelo Iunes (PSDB), de Corumbá, que ganha R$ 26 mil, e Hélio Peluffo (PSDB), de Ponta Porã, que recebe R$ 24.117,62.

O prefeito de Rio Brilhante tem salário superior a 23 governadores, inclusive dos estados mais populosos do País, como São Paulo (R$ 23 mil) e Rio de Janeiro (R$ 19,8 mil). O tucano ganha quase três vezes mais que os R$ 11.440 pagos por mês ao governador Romeu Zema (Novo), que comanda Minas Gerais, segundo estado mais populoso com 21,1 milhões de moradores.

Cidade pequena, salário gigante

Prefeito Salário Cidade Habitantes
Donato Lopes Silva (PSDB) 32.564,04 Rio Brilhante 37.514
Marcelo Iunes (PSDB) 26.000,00 Corumbá 111.435
Hélio Peluffo (PSDB) 24.117,62 Ponta Porã 92.526
Marquinhos Trad (PSD) 21.263,61 Campo Grande 895.982
Angelo Guerreiro (PSDB) 21.000,00 Três Lagoas 121.388
Délia Razuk (sem partido) 13.804,56 Dourados 222.949

O problema é que não está sobrando dinheiro em Rio Brilhante. De acordo com o IBGE, 33,9% dos rio-brilhantenses possuem renda per capita mensal inferior a meio salário mínimo. Ou seja, 12.720 pessoas vão precisar trabalhar cinco anos e dois meses para acumular o valor pago em um único mês ao prefeito da cidade.

A restrição de recurso paralisou várias obras, conforme Foroni. Em postagem no Facebook, o emedebista cita as obras paradas, como a Clínica da Mulher, o recapeamento de vias públicas e a ampliação do hospital.

Aliás, a obra do estabelecimento hospitalar começou em 2016 e segue inconcluso. O projeto é elevar em 50% a capacidade da unidade hospitalar, de 48 para 72 leitos, e desafogar a demanda pela saúde pública no município.

Novo gerador está encaixotado há quatro anos, enquanto pacientes correm risco de vida em caso de blecaute (Foto: Rio Brlhante News)

Apesar de ter sido eleito cinco vezes para comandar a prefeitura local, Donato tem falhado até na ativação de equipamento comprado. De acordo com o site Rio Brilhante News, o gerador novo está encaixotado há quatro anos.

Apesar de contar com o equipamento o Hospital e Maternidade Associação Beneficente de Rio Brilhante fica no escuro e deixa os pacientes correndo risco de morte por falta de energia no caso de temporal ou blecaute.

Prefeito de Rio Brilhante ganha salário quase igual ao de Reinaldo, que administra orçamento de R$ 15 bilhões (Foto: Arquivo). fonte o jacaré